Comunicação Política
Se você é candidato, o foco da campanha não é você
Comunicação política eficaz começa pela compreensão das necessidades, expectativas e problemas de quem o candidato pretende representar.
Publicado em
03/09/2026 às 15:13
Atualizado em
Pode parecer contraditório, mas uma das primeiras coisas que um candidato precisa entender é que ele não é o centro da campanha.
O centro são as pessoas.
Em uma eleição, enquanto candidatos, partidos e equipes já estão completamente mergulhados na disputa, grande parte da população ainda está distante desse ambiente. Muitos eleitores sequer decidiram em quem votar para deputado estadual ou federal e só farão essa escolha mais perto da eleição.
E existe uma razão simples para isso: as pessoas têm outras preocupações.
Elas estão pensando nas contas para pagar, na saúde da família, no trabalho, na segurança e no futuro dos filhos. Enquanto a campanha está preocupada em conquistar votos, o cidadão está preocupado em resolver a própria vida.
É justamente nesse ponto que uma comunicação política precisa começar.
As pessoas prestam atenção em quem demonstra compreender suas necessidades. Por isso, antes de pensar no que o candidato quer dizer, é preciso entender o que a população quer ouvir — não no sentido de simplesmente agradá-la, mas de compreender seus problemas reais.
Algumas perguntas ajudam muito nesse processo:
- O que as pessoas querem conquistar?
- O que está impedindo isso?
- O que pode piorar se nada mudar?
- E como elas podem participar da solução?
Essas respostas deveriam orientar boa parte da comunicação de uma campanha.
O candidato deixa de aparecer simplesmente como alguém que pede um voto e passa a se apresentar como alguém capaz de compreender um problema e construir um caminho.
Por isso, acredito que o centro da comunicação política deve trabalhar quatro elementos fundamentais: necessidades, esperanças, soluções e mobilização.
Primeiro, compreender a necessidade. Depois, mostrar que existe possibilidade de mudança. Em seguida, apresentar soluções possíveis. E, finalmente, fazer com que as pessoas entendam que também podem participar dessa transformação.
Esse último ponto é fundamental.
Campanha não deveria tratar o eleitor apenas como alguém que, no dia da eleição, aperta alguns números em uma urna. O eleitor precisa se sentir parte da mudança que está sendo proposta.
Quando isso acontece, a comunicação deixa de falar para as pessoas e começa a falar com as pessoas.
E quando as pessoas se sentem parte da mudança, a mensagem ganha força.
Talvez seja essa uma das regras mais simples e mais esquecidas do marketing político:
se você é o candidato, o foco da campanha não é você. É quem você pretende representar.
Mercadólogo e analista político
Fonte: Kenichi Ishibashi
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