SAÚDE E GESTÃO
Elaine Ataíde encerra gestão no HC-Unicamp com aumento de cirurgias e investimentos
Professora da Unicamp e cirurgiã, Elaine esteve à frente do Hospital de Clínicas entre 2022 e 2026; memorial reúne indicadores assistenciais, modernização
Publicado em
28/10/2026 às 16:58
Atualizado em
Trajetória reúne assistência médica, ensino e gestão hospitalar
A médica Elaine Cristina de Ataíde encerrou, em 2026, um ciclo à frente da Superintendência do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), após quatro anos de gestão. Cirurgiã do aparelho digestivo e professora associada da Faculdade de Ciências Médicas, ela reúne experiência em assistência, pesquisa clínica, formação de profissionais e administração hospitalar.
Segundo o memorial de gestão divulgado em outubro de 2026, Elaine foi a primeira mulher eleita para a Superintendência do hospital. O documento apresenta resultados institucionais do período, investimentos em equipamentos, iniciativas de modernização e propostas para ampliar a integração do cuidado aos pacientes.
Formada em Medicina pela Unicamp, ela possui doutorado em Ciências da Cirurgia, Livre-Docência e aperfeiçoamento em cirurgia hepática e transplante de fígado no Hôpital Paul-Brousse, na França.
Antes de assumir a Superintendência, ocupou funções de liderança no Centro Cirúrgico, na Coordenação de Assistência e na Vice-Diretoria Clínica, além de coordenar o Serviço de Transplante Hepático.
Número de cirurgias aumentou durante o período analisado
Os indicadores reunidos no memorial mostram crescimento no volume de procedimentos realizados pelo HC-Unicamp entre 2022 e 2025.

Aumento no número anual de cirurgias, equivalente a 3.295 procedimentos a mais (29,8%).
Fonte: Memorial de Gestão de Elaine Ataíde, com dados atribuídos ao Relatório de Gestão 2022–2026 do HC-Unicamp.
O volume anual de exames de imagem também aumentou, passando de 128.865, em 2022, para 170.818, em 2025. A diferença corresponde a 41.953 exames, um crescimento aproximado de 32,6%.
Outro indicador apresentado no documento é o das interconsultas de cuidados paliativos, que passaram de 233 para 584 por ano no período analisado. Esse dado aponta ampliação da atividade registrada nessa área, mas não permite, isoladamente, avaliar a qualidade dos atendimentos ou os resultados clínicos obtidos.
Os números demonstram a evolução de determinados indicadores de produção do hospital. Entretanto, sem uma avaliação independente que considere demanda, capacidade instalada, recursos disponíveis e outros fatores, não é possível atribuir exclusivamente à gestão individual as mudanças observadas.
Investimentos modernizaram a estrutura hospitalar
Entre as entregas destacadas no memorial estão intervenções na infraestrutura e a aquisição de equipamentos para diferentes áreas assistenciais.
O documento relaciona a reforma e a climatização de enfermarias, a instalação de um acelerador linear e de um novo equipamento de ressonância magnética, além da renovação de 13 berços de UTI pediátrica.
O balanço institucional também registra mais de R$ 38 milhões em equipamentos entregues e mais de R$ 29 milhões em emendas parlamentares de custeio executadas para a aquisição de medicamentos e materiais médico-hospitalares.
Esses recursos são apresentados como parte das iniciativas para melhorar a estrutura de atendimento e dar suporte às atividades assistenciais. A avaliação dos efeitos dessas medidas, porém, depende de informações adicionais sobre utilização dos equipamentos, disponibilidade dos serviços e resultados para os pacientes.
Gestão também investiu em informação e transformação digital
Outro eixo destacado foi a organização de processos administrativos e assistenciais com apoio de ferramentas digitais.
De acordo com o memorial, foram desenvolvidos 220 painéis de acompanhamento para 40 áreas estratégicas. O objetivo é disponibilizar informações para monitorar atividades e apoiar decisões dentro do hospital.
O documento também cita iniciativas de integração entre sistemas, ferramentas de apoio à consulta de procedimentos e um projeto envolvendo inteligência artificial generativa.
Há uma distinção importante entre as iniciativas: a existência de painéis e ferramentas não significa, necessariamente, que todos os sistemas estejam integrados ou que os projetos de inteligência artificial já operem plenamente na assistência. O próprio memorial diferencia projetos em desenvolvimento de serviços efetivamente implantados e de benefícios clínicos comprovados.
Formação de profissionais e organização do atendimento
A formação de equipes também aparece entre as prioridades descritas. O HC implantou um curso de integração para médicos residentes, estruturado em dez módulos e acompanhado por indicadores de conclusão.
O memorial relaciona ainda iniciativas assistenciais e de acesso, incluindo avaliações pré-operatórias, atendimentos em oncologia e um mutirão cirúrgico que envolveu diferentes especialidades.
A proposta de gestão apresentada por Elaine parte da integração entre equipes, infraestrutura, processos e informação como elementos necessários para sustentar o atendimento em um hospital público de alta complexidade.
“Liderar é criar condições para que boas equipes consigam entregar um cuidado melhor”, afirma a médica no memorial.
Propostas para o próximo ciclo
Entre as propostas apresentadas por Elaine para uma nova etapa estão a integração de informações sobre filas, a melhoria da navegação dos pacientes pela rede de atendimento e a avaliação do uso de inteligência artificial em etapas específicas do cuidado.
As iniciativas são descritas como propostas sujeitas a testes, supervisão profissional e avaliação de segurança, custos e resultados antes de uma eventual ampliação.
A implementação dependerá de planejamento, recursos, validação técnica e avaliação dos efeitos sobre os serviços e os pacientes.
Como interpretar os resultados da gestão
O memorial reúne indicadores de produção, investimentos e projetos de modernização referentes ao período de 2022 a 2026. Os dados ajudam a dimensionar parte das atividades desenvolvidas pelo HC-Unicamp, mas não substituem uma avaliação independente da gestão.
O aumento no número de cirurgias e exames, por exemplo, não informa sozinho se houve redução das filas, melhora dos desfechos clínicos ou diminuição do tempo de espera. Para responder a essas questões, seriam necessários indicadores complementares, como demanda reprimida, tempo entre indicação e procedimento, taxa de complicações e resultados assistenciais.
Os dados financeiros também exigem distinção entre recursos anunciados, valores efetivamente executados e resultados obtidos com os investimentos.
A análise desses aspectos é importante para compreender não apenas o volume de atividades de um hospital universitário, mas também os efeitos da gestão sobre o acesso e a qualidade do atendimento prestado à população.
Fonte: Memorial de Gestão de Elaine Ataíde, outubro de 2026, com indicadores atribuídos ao Relatório de Gestão 2022–2026 do Hospital de Clínicas da Unicamp.
Fonte: Portal da Cidade Sumaré
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