Portal da Cidade Sumaré

Meio ambiente

MP investiga derramamento de 45 mil litros de diesel que afetou Sumaré

Inquérito civil apura danos ambientais após acidente em Campinas interromper captação de água e afetar o abastecimento de mais de 70% da cidade

Publicado em 27/10/2026 às 11:44
Atualizado em

Caminhão de combustível tomba na Rodovia Dom Pedro (Foto: Reprodução)

Resumo
  • O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para investigar o derramamento de cerca de 45 mil litros de diesel em Campinas, que contaminou cursos d’água e levou à suspensão da captação no Rio Atibaia.
  • Em Sumaré, a interrupção afetou o abastecimento de mais de 70% da cidade nos dias seguintes.
  • A investigação busca identificar responsáveis, dimensionar os danos ambientais e avaliar a necessidade de reparação.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para investigar os danos ambientais provocados pelo derramamento de aproximadamente 45 mil litros de óleo diesel no Córrego Anhumas e no Rio Atibaia. O acidente ocorreu em 12 de outubro, em Campinas, e teve consequências para o abastecimento de água em Sumaré e outros municípios da região.

A investigação foi aberta pela promotora de Justiça Flávia Travaglini Zulian, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), para apurar a extensão da contaminação, identificar os responsáveis e buscar a reparação dos danos ambientais e dos prejuízos causados à população.

O diesel era transportado por um caminhão-tanque que tombou em uma alça de acesso da Rodovia Dom Pedro I (SP-065) para a Rodovia SP-340, em Campinas. Segundo as informações do procedimento, o combustível atingiu a canaleta de drenagem e se espalhou pela bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O registro oficial da ocorrência rodoviária confirma o tombamento e o derramamento de diesel em 12 de outubro. 

Contaminação afetou abastecimento em Sumaré

Em Sumaré, a concessionária BRK suspendeu a captação de água no Rio Atibaia após identificar uma mancha de contaminação e odor característico de diesel no manancial. A interrupção afetou o abastecimento de mais de 70% da cidade nos dias seguintes ao acidente.

Além de Sumaré, a ocorrência teve reflexos no abastecimento público de água de Paulínia, Nova Odessa e Americana.

De acordo com as informações reunidas no inquérito, resíduos oleosos também chegaram à região conhecida como Mini Pantanal, em Paulínia, e às proximidades da captação Santo Ângelo e da Represa do Salto Grande, em áreas de Nova Odessa e Americana.

A investigação deverá avaliar os impactos sobre os ecossistemas aquáticos e terrestres, a água destinada ao consumo humano, a fauna e a flora.

MP quer identificar responsáveis e apurar irregularidades

Entre as diligências determinadas pelo Gaema está a identificação de todos os envolvidos no transporte da carga e no atendimento à ocorrência. A apuração abrange o expedidor do produto, o contratante do transporte, a empresa transportadora e eventuais prestadores de serviços mobilizados para a emergência.

A portaria também prevê o acompanhamento das medidas de contenção, remoção de resíduos, remediação ambiental e fiscalização adotadas pelos órgãos responsáveis. Os planos de contingência e as respostas à emergência serão analisados, assim como a eventual ocorrência de crimes ambientais e de trânsito.

As empresas investigadas deverão apresentar documentos relacionados ao transporte do combustível, às licenças ambientais, ao seguro e às providências adotadas para conter e remover os resíduos oleosos.

Fiscalização apontou irregularidades

Segundo a portaria do inquérito, a fiscalização da Polícia Militar Rodoviária identificou irregularidades relacionadas ao condutor e ao veículo. Entre os pontos registrados estão resultado positivo no teste do etilômetro, verificação metrológica vencida do cronotacógrafo — equipamento que registra informações sobre o funcionamento e o deslocamento do veículo — e painéis de segurança divergentes da substância efetivamente transportada.

Esses apontamentos integram o material que será considerado na apuração. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do acidente e as responsabilidades de cada envolvido.

Investigação pode resultar em reparação de danos

O Ministério Público busca apurar tanto os danos ambientais quanto eventuais prejuízos patrimoniais, individuais e morais coletivos decorrentes do derramamento.

A portaria menciona o princípio do poluidor-pagador e a responsabilidade civil por danos ambientais, que podem fundamentar a obrigação de reparar os prejuízos atribuídos aos responsáveis, conforme a legislação aplicável.

A abertura do inquérito civil não significa que os investigados tenham sido condenados. Nesta fase, o Ministério Público reúne informações e documentos para dimensionar os danos, esclarecer responsabilidades e avaliar as medidas cabíveis. Até o momento descrito no procedimento, não havia ação judicial nem decisão da Justiça sobre o caso.

Fonte: Todo Dia - Vagner Salustiano - Edição Douglas Melo

Envie sua notícia

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp