Coffee Break:
Lavagem de dinheiro, laranjas, propina milionária — e o impacto direto em Sumaré
Lavagem de dinheiro, propina e superfaturamento: PF aponta participação de ex-secretário de Sumaré em esquema que movimentou milhões.
Publicado em 14/11/2025 às 14:25
A Operação Coffee Break revelou, nesta semana, um dos maiores esquemas de corrupção na educação já registrados na região, com ramificações profundas em Sumaré. Entre transferências via TED que viravam sacos plásticos lacrados com dinheiro vivo, pagamentos de boletos para disfarçar transações ilícitas e PIX de quase meio milhão a “laranjas”, a Polícia Federal detalhou como recursos que deveriam chegar às escolas da cidade foram desviados para sustentar uma rede de propina, luxo e enriquecimento ilícito.
O que a PF descobriu — e onde entra Sumaré
Segundo a investigação, praticamente todo o faturamento da Life Tecnologia Educacional entre 2021 e 2024 veio de dinheiro público. E Sumaré aparece no centro dessa engrenagem:
🔎 Somente entre Sumaré, Hortolândia e Morungaba, a Life recebeu mais de R$ 99 milhões em recursos públicos.
🔎 A PF aponta que o ex-secretário de Educação de Sumaré, José Aparecido Ribeiro Marin, era o principal articulador da empresa no município.
🔎 Em dezembro de 2024, Mariano — dono da Life — enviou R$ 485 mil via PIX para um “laranja” indicado por Marin.
🔎 A Life também pagou R$ 549 mil de uma parcela de apartamento de luxo a pedido de Marin, em outubro de 2024.
Esse conjunto de operações configura, segundo a PF, pagamentos de propina ligados a contratos superfaturados firmados com a Prefeitura de Sumaré.
A rota do dinheiro: de Sumaré aos cofres da organização criminosa
A investigação mostra que valores provenientes de compras educacionais superfaturadas eram:
- enviados a empresas ligadas a doleiros;
- convertidos em grandes quantias de dinheiro vivo — mais de R$ 10 milhões em espécie retirados pessoalmente por André Mariano;
- distribuídos como “café”, termo usado internamente para se referir à propina.
- Além disso, a Life pagou 34 boletos em sequência, totalizando R$ 783 mil, em manobras para driblar o rastreamento bancário.
Responsabilização urgente
A participação direta de agentes ligados à educação de Sumaré no esquema torna imperativo que:
- todos os contratos sejam revisados,
- toda a cadeia seja investigada,
- haja responsabilização exemplar,
- o município dê respostas à altura da gravidade.
Porque, em última análise, cada centavo desviado da educação é um centavo roubado do futuro das crianças sumareenses.
Fonte: G1.globo.com - Edição: Douglas Melo
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