Portal da Cidade Sumaré

OPERAÇÃO ARCHIMAGUS

Justiça prorroga por mais 30 dias prisão de Hélio Silva, presidente da Câmara de Sumaré

Vereador está preso desde setembro e é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com esquema de tráfico de drogas na região

Publicado em 07/10/2026 às 10:15
Atualizado em

Vereador Helio Silva Foi preso em operação contra tráfico de drogas (Foto: Reprodução)

Resumo
  • A Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Hélio Silva, presidente da Câmara de Sumaré, investigado pela Polícia Federal na Operação Archimagus.
  • A investigação apura suspeitas de envolvimento com tráfico de drogas, circulação de dinheiro e possível uso de recursos ilícitos em atividades político-eleitorais.
  • Áudios, dinheiro, armas, veículos e outros materiais estão entre os elementos analisados pela PF, e os fatos ainda estão sob investigação.

 A Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Hélio Pereira da Silva, presidente licenciado da Câmara Municipal de Sumaré, no âmbito da Operação Archimagus, que investiga uma associação suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na região.

A decisão foi assinada nesta terça-feira (6) pelo juiz Luiz Antônio Cunha e também prorrogou, pelo mesmo período, a prisão temporária de Maikon Baptista da Costa, outro investigado no caso. A medida foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável do Ministério Público.

Hélio Silva, de 55 anos, foi preso em 9 de setembro, durante a operação conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. Segundo a investigação, o vereador seria identificado pelo apelido de “Mister M” e teria participação no financiamento da compra, armazenamento e distribuição de drogas.

Áudios são citados na investigação

Entre os elementos que passaram a integrar a apuração estão áudios atribuídos pela investigação ao filho de Hélio Silva, nos quais há referências ao parlamentar e a um suposto ponto de venda de drogas.


Em um dos trechos divulgados, o filho menciona uma suposta “biqueira” relacionada ao pai durante uma cobrança de dívida. O conteúdo foi apresentado como elemento da investigação e, até o momento, não representa, isoladamente, comprovação das acusações contra Hélio Silva.

A investigação também teria identificado mensagens mais antigas nas quais moradores relatavam problemas relacionados à presença de usuários de drogas nas proximidades de imóveis associados ao vereador. Esses registros igualmente precisam ser analisados dentro do contexto geral da apuração.


Polícia apura circulação de dinheiro

Outro eixo da investigação envolve sacolas com volumes que aparentavam conter dinheiro. Segundo os elementos divulgados, episódios registrados entre janeiro e agosto deste ano teriam mostrado a entrega desses volumes a Hélio.

A Polícia Federal também investiga se recursos de origem ilícita teriam sido utilizados para financiar atividades político-eleitorais. O parlamentar disputou uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026 e terminou o pleito como suplente, com 1.981 votos.

As suspeitas relacionadas ao dinheiro ainda fazem parte da investigação e não significam, neste momento, comprovação de que os valores tenham origem criminosa.

Imóveis e possível estrutura para o tráfico

A investigação também alcança imóveis ligados ao vereador. Segundo informações divulgadas durante a operação, a Polícia Federal apura se alguns endereços foram utilizados sem atividade empresarial compatível e se poderiam ter servido de apoio à estrutura investigada.

Na operação realizada em setembro, um sítio localizado em Jacutinga (MG) também foi alvo de busca. A suspeita dos investigadores era de que o imóvel pudesse ter sido utilizado para armazenamento de drogas.

Durante as buscas, os agentes apreenderam na residência de Hélio uma pistola calibre .380, uma carabina, 105 munições, R$ 18.215 em dinheiro, documentos, joias, relógios e celulares, conforme informações divulgadas sobre a operação.

Em outros endereços, foram apreendidos R$ 6,7 mil em dinheiro, um celular e 892 gramas de maconha.

Operação levou a afastamento da presidência

Após a prisão, Hélio Silva solicitou licença de 30 dias da presidência da Câmara Municipal. O pedido foi aprovado pelos vereadores e Lucas Agostinho assumiu interinamente o comando do Legislativo.

A Câmara Municipal declarou, na ocasião da prisão, que a investigação tinha caráter pessoal e que não havia, até aquele momento, informação relacionando o caso às atividades institucionais do Legislativo. O órgão também ressaltou o princípio constitucional da presunção de inocência.

Com a nova decisão judicial, Hélio permanece preso durante o prosseguimento das diligências da Polícia Federal.

Investigação continua

A Operação Archimagus cumpriu inicialmente dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Sumaré, Campinas e Vinhedo, em São Paulo, e em Jacutinga, Minas Gerais. A força-tarefa reúne órgãos de segurança e combate ao crime organizado.

A prorrogação da prisão temporária é uma medida cautelar destinada a permitir a continuidade das investigações e não representa condenação.

Hélio Silva e os demais investigados são considerados inocentes até eventual decisão judicial definitiva. As responsabilidades individuais e a procedência das suspeitas deverão ser definidas a partir do avanço das investigações e da análise das provas.

Fonte: Portal da Cidade Sumaré

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