Investigação
Esquema na Educação atinge famílias sumareenses e desvia verba para os alunos
Ex-secretário de Educação de Luiz Dalben é acusado de direcionar contratos e liberar pagamentos superfaturados; investigação aponta prejuízo aos estudantes
Publicado em 14/11/2025 às 10:24
A operação da Polícia Federal que abalou a Região Metropolitana de Campinas trouxe à tona um dos maiores escândalos envolvendo recursos da educação em Sumaré. O ex-secretário municipal de Educação José Aparecido Ribeiro Marin, conhecido como Zinho, é apontado como articulador de um esquema de direcionamento de licitações e recebimento de propina ligado à empresa Life Tecnologia Educacional, responsável por contratos firmados durante a gestão do ex-prefeito Luiz Dalben (PSD).
Marin, considerado braço direito da família Dalben, está foragido, mesmo sendo alvo de mandado de prisão preventiva. Segundo a PF, ele teria atuado para garantir a vitória da Life em disputas públicas e liberar pagamentos milionários em troca de vantagens ilícitas — usando como moeda de troca justamente recursos destinados à educação das crianças sumareenses.
Sobrepreço de até 35 vezes e fraudes envolvendo servidores da Educação
A investigação aponta que a Life Tecnologia Educacional praticava sobrepreço de até 35 vezes o valor real de produtos adquiridos por prefeituras entre 2020 e 2021. Em Sumaré, o ex-secretário Marin teria desempenhado papel central no esquema, favorecendo a empresa e viabilizando liberações financeiras sob suspeita.

Além dele, dois professores da rede municipal foram identificados como signatários de documentos usados para desclassificar concorrentes da Life. Conforme a apuração:
- Um dos professores teria recebido R$ 24 mil;
- O outro, R$ 14 mil;
- Uma servidora do Centro de Formação teria recebido R$ 187 mil, a partir de outubro de 2021.
Os três foram alvo de mandados de busca e apreensão.
PF recolhe documentos na Prefeitura de Sumaré
Na sede da Prefeitura, a PF apreendeu:
processos administrativos ligados aos contratos da Life;
computadores e mídias eletrônicas;
documentos usados para subsidiar as licitações sob suspeita.
As irregularidades investigadas se referem exclusivamente ao período da administração de Luiz Dalben.

A atual gestão afirma colaborar integralmente e reforça que nenhum dos contratos sob investigação pertence ao governo atual.
Em nota, o ex-prefeito Luiz Dalben declarou ter tomado conhecimento da operação pela imprensa e afirmou que “sempre pautou sua gestão pela legalidade e moralidade”.
Quem é José Aparecido Ribeiro Marin (Zinho)
Marin tem 47 anos e atualmente possui domicílio nos Estados Unidos.
Sua carreira no serviço público de Sumaré soma quase 20 anos, com passagens por cargos estratégicos:
- Secretário de Educação (2022–2024);
- Secretário de Mobilidade Urbana e Rural;
- Administrador Regional do Centro;
- Diretor Administrativo do antigo DAE.
Segundo fontes internas, Marin sempre ocupou funções de alta confiança dentro da estrutura política da família Dalben, atuando como articulador administrativo e político.
Perícia pode ampliar a gravidade das acusações
Com a apreensão de computadores, celulares e documentos, a PF entra agora na fase de perícia técnica, que deve aprofundar as suspeitas de:
- corrupção ativa e passiva;
- direcionamento de licitações;
- superfaturamento extremo;
- formação de organização criminosa.
A defesa de Marin não foi localizada pela imprensa.
Corrupção na Educação de Sumaré rouba o futuro das crianças e exige responsabilização imediata
O escândalo que envolve contratos superfaturados e licitações direcionadas atinge diretamente as famílias de Sumaré, tirando recursos que deveriam estar dentro das salas de aula e comprometendo o futuro das crianças da rede municipal. Enquanto servidores e empresários lucravam com sobrepreços de até 35 vezes, estudantes enfrentavam falta de materiais, estrutura precária e oportunidades reduzidas. É urgente que toda a cadeia envolvida — agentes públicos, gestores e beneficiários — seja responsabilizada, pois não é admissível que uma administração inteira não tenha enxergado processos tão irregulares. A população exige respostas, transparência e garantias de que a educação nunca mais será usada como moeda em esquemas de corrupção.
Fonte: Portal da Cidade Sumaré
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