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Saúde pública

Sumaré inicia mutirão de cirurgias de vesícula para atender mil pacientes pelo SUS

Procedimentos começaram no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas, e serão realizados à noite e aos finais de semana para reduzir a fila de espera

Publicado em 29/09/2026 às 09:07
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Resumo
  • Sumaré iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula pelo SUS, com previsão de atender cerca de mil pacientes nos próximos meses.
  • Os procedimentos são realizados por videolaparoscopia no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas, com operações programadas para o período noturno e os finais de semana.
  • A iniciativa integra o programa Mais Acesso à Saúde e busca reduzir a fila de espera, que inclui pacientes que relatam anos de espera e crises recorrentes de dor.

Cerca de mil pacientes de Sumaré que aguardam por cirurgia de vesícula pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem ser atendidos nos próximos meses por meio de um mutirão iniciado no domingo (27). A iniciativa integra o programa municipal Mais Acesso à Saúde e tem como objetivo zerar a fila de espera pelo procedimento.

As primeiras quatro cirurgias foram realizadas no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas. Os procedimentos são conduzidos pelo Grupo Surgical, responsável pelas operações e pelos atendimentos pré e pós-operatórios previstos na iniciativa.

Para ampliar a capacidade de atendimento, as cirurgias serão realizadas diariamente no período noturno e também aos finais de semana. Segundo informações divulgadas sobre o programa, há pacientes que aguardam pelo procedimento há vários anos, em alguns casos, perto de uma década.

Cirurgias serão feitas por videolaparoscopia

O mutirão prevê a realização de colecistectomias, nome técnico da cirurgia para retirada da vesícula biliar. Todos os procedimentos serão realizados por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e instrumentos específicos para a operação.

De acordo com o cirurgião Bruno Tavares Pereira, presidente do Grupo Surgical, a técnica pode favorecer a recuperação dos pacientes, desde que sejam observadas as condições clínicas individuais.

“São cirurgias minimamente invasivas, realizadas por equipe qualificada e com estrutura adequada. Muitos pacientes poderão receber alta no mesmo dia ou no dia seguinte, desde que apresentem condições clínicas adequadas”, afirmou.

O vice-presidente do grupo, Rafael Ruano, destacou a necessidade de planejamento para atender à demanda acumulada. Segundo ele, a experiência da equipe em mutirões realizados em Campinas e Piracicaba contribui para a organização dos atendimentos.

Pacientes relatam anos de espera e crises de dor

Entre as primeiras pacientes atendidas está a cozinheira Fernanda da Silva Bezerra do Nascimento, de 32 anos. Ela relata que conviveu durante cinco anos com dores e crises recorrentes enquanto aguardava a cirurgia.

Segundo Fernanda, a investigação para identificar a causa dos sintomas levou quase um ano. Depois da confirmação do diagnóstico, ela ainda esperou cinco anos pelo procedimento e, nesse período, procurava atendimento hospitalar pelo menos duas vezes por mês devido às crises.

“Eu comecei a sentir muita dor na barriga, com crises de dor. Fiz alguns exames para descobrir o que era. Isso demorou quase um ano para ter o diagnóstico. Depois fiquei cinco anos esperando a cirurgia”, contou.

A paciente passou pela operação no primeiro dia do mutirão e recebeu alta no mesmo dia. A expectativa, segundo ela, é recuperar a qualidade de vida após anos convivendo com as dores.

“Vai melhorar muito. Só de saber que não vou sentir mais aquela dor insuportável…”, comemorou.

Quando a cirurgia de vesícula é indicada?

A colecistectomia costuma ser indicada quando pedras na vesícula, também chamadas de cálculos biliares, provocam sintomas ou complicações, como crises recorrentes de dor e inflamações.

A vesícula biliar armazena e concentra a bile produzida pelo fígado, substância que participa da digestão. Quando há cálculos sintomáticos, o paciente pode apresentar episódios de cólica biliar. Em situações como a colecistite aguda, caracterizada pela inflamação da vesícula, a avaliação médica deve ser rápida.

Segundo Bruno Tavares Pereira, a retirada do órgão não impede, em geral, que o paciente mantenha uma vida normal. Após a cirurgia, a bile produzida pelo fígado continua chegando ao intestino pelas vias biliares, mesmo sem passar pela vesícula.

A indicação cirúrgica, no entanto, depende da avaliação médica de cada paciente. A presença de cálculos, isoladamente, não significa que todas as pessoas precisem passar por cirurgia.

Mutirão integra programa de ampliação do acesso à saúde

O secretário municipal de Saúde, Frederico Almeida, destacou que o mutirão faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a demanda acumulada na rede pública.

Segundo ele, o programa Mais Acesso à Saúde prevê aproximadamente 35 mil procedimentos, entre consultas, exames e cirurgias, com ações voltadas à ampliação da assistência e à redução do tempo de espera.

A realização das cirurgias em horários noturnos e aos finais de semana busca ampliar a capacidade de atendimento e utilizar a estrutura disponível para acelerar a realização dos procedimentos.

Reduzir a fila é o primeiro passo

A previsão de atender mil pacientes representa uma iniciativa de grande alcance para quem convive há anos com dores e aguarda uma solução pela rede pública. O relato de pacientes que passaram longos períodos esperando evidencia o impacto que a demora pode ter na rotina, no trabalho e na qualidade de vida.

O resultado do mutirão, porém, deverá ser medido não apenas pelo número de cirurgias realizadas, mas também pela efetiva redução da fila e pelo tempo que os pacientes ainda terão de esperar. Para que a ação represente um avanço duradouro, será importante acompanhar o cumprimento da meta, a assistência no pós-operatório e a capacidade da rede municipal de evitar o acúmulo de novas demandas.

Fonte: Portal da Cidade Sumaré

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