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INVESTIGAÇÃO

PF aponta como funcionaria grupo ligado ao tráfico e liderado por Hélio Silva

Presidente da Câmara de Sumaré é apontado como líder e financiador; investigação descreve funções de outros quatro suspeitos

Publicado em 10/09/2026 às 07:48
Atualizado em

Entenda como funcionava o grupo ligado ao tráfico de drogas que seria liderado pelo presidente da Câmara de Sumaré (SP), Hélio Silva, preso nesta quarta-feira (9) (Foto: Reprodução/EPTV)

Resumo
  • PF aponta Hélio Silva como líder e financiador do grupo investigado por tráfico de drogas.
  • Investigação descreve uma divisão de funções, incluindo gerência dos pontos de venda, movimentação de dinheiro e controle de local usado para armazenamento de drogas.
  • Dinheiro teria sido transportado em veículo oficial da Câmara de Sumaré, segundo a investigação.

A investigação que levou à prisão do presidente da Câmara de Sumaré, Hélio Silva, na Operação Archimagus aponta que o grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas teria uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os investigados. Segundo a Polícia Federal, o vereador seria o principal articulador e financiador do esquema.

De acordo com a investigação, Hélio Silva, conhecido pelos investigadores como “Mister M”, teria a função de financiar atividades relacionadas ao tráfico e manter contato com outros integrantes do grupo. A apuração também aponta que ele teria recebido e transportado dinheiro em espécie em um veículo oficial da Câmara de Sumaré.

Como seria a estrutura, segundo a investigação

A PF aponta uma divisão de tarefas entre os suspeitos:

  • Hélio Silva: apontado como líder e financiador do grupo, com atuação na articulação e destinação de recursos para as atividades criminosas.
  • Maikon Batista da Costa: seria o responsável pela gerência dos pontos de venda de drogas e pela organização das atividades relacionadas à comercialização dos entorpecentes.
  • Sivanir Alves: teria a função de controlar o acesso a um sítio em Jacutinga (MG), que, segundo a investigação, seria utilizado para armazenar drogas.
  • Jurailton Rosa dos Santos: seria responsável pela entrega e recebimento de valores relacionados ao esquema.
  • Cláudio Miguel da Costa: é apontado como contato operacional do grupo.

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Polícia Federal/Divulgação

Segundo a decisão judicial citada na investigação, Hélio Silva teria se encontrado diversas vezes com outros investigados, inclusive Maikon Batista da Costa, em locais identificados como pontos de venda de drogas.

Dinheiro e veículo oficial

Um dos elementos apontados pela investigação envolve a movimentação de dinheiro em espécie.

Segundo a PF, Hélio Silva teria recebido sacolas com dinheiro vivo e transportado os valores em um veículo oficial da Câmara Municipal de Sumaré. A investigação sustenta ainda que recursos provenientes das atividades criminosas teriam sido utilizados para financiar atividades políticas e eleitorais do vereador.


Saiba mais:


A utilização do veículo oficial é um dos pontos de maior impacto institucional do caso, embora a Câmara Municipal tenha afirmado que, até o momento, não há informação que relacione a investigação às atividades institucionais do Legislativo.

Sítio em Jacutinga

A Operação Archimagus também teve como alvo um sítio localizado em Jacutinga, no Sul de Minas Gerais.

Segundo a Polícia Federal, o imóvel pode ter sido utilizado para armazenamento de drogas. A investigação identificou ainda indícios de financiamento para aquisição de entorpecentes, além de armazenamento e distribuição para pontos de tráfico na região de Sumaré.

Polícia Federal/Divulgação

Imóveis e empresas também são citados na apuração como possíveis estruturas utilizadas pelo grupo.

Operação Archimagus

Deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas, a operação cumpriu dois mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão.

As ações ocorreram em Sumaré, Campinas, Vinhedo (SP) e Jacutinga (MG).

A Ficco reúne forças de segurança federais e estaduais que atuam no combate ao crime organizado.

Quem é Hélio Silva

Hélio Silva, de 55 anos, é vereador de Sumaré pelo Cidadania e presidente da Câmara Municipal no biênio 2025/2026. Ele foi eleito vereador em 2016 e 2020 e reeleito em 2024, com 1.916 votos.

O parlamentar também é candidato a deputado federal nas eleições de 2026.

Câmara afirma que caso é pessoal

Em nota, a Câmara Municipal de Sumaré afirmou que a investigação tem caráter pessoal e que, até o momento, não há informação que relacione o caso às atividades institucionais do Legislativo.

O Legislativo também ressaltou o compromisso com a transparência e a legalidade e destacou que Hélio Silva, assim como qualquer cidadão, está protegido pelo princípio constitucional da presunção de inocência.

As defesas de Hélio Silva e dos demais investigados não foram localizadas para manifestação, segundo o material divulgado pelo Portal da Cidade.

A investigação ainda está em andamento e caberá à Justiça analisar as provas reunidas pela Polícia Federal. Até o momento, as acusações contra Hélio Silva e os demais investigados são objeto de investigação e não representam condenação definitiva.

Fonte: G1.globo.com - Edição: Douglas Melo

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