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Direito Trabalhista

Ex-funcionários de empresa terceirizada das UPAs de Sumaré recorrem à Justiça por recisão

Sindicato acompanha ações judiciais de trabalhadores das UPAs Macarenko e Matão; empresa prevê iniciar pagamentos em junho.

Publicado em 11/06/2026 às 16:54

Reprodução

Ex-funcionários que prestavam serviços de limpeza e portaria nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Macarenko e Matão, em Sumaré, estão buscando auxílio judicial após alegarem atraso no pagamento de verbas rescisórias por parte da empresa terceirizada RSM Clean. O caso vem sendo acompanhado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco), que afirma ter tentado uma solução negociada antes de orientar os trabalhadores sobre medidas judiciais.

Segundo o sindicato, reuniões foram realizadas com representantes da empresa com o objetivo de garantir, ao menos, a liberação imediata dos documentos necessários para acesso ao seguro-desemprego e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), independentemente da discussão sobre os demais valores rescisórios.

De acordo com Gleise Goes, representante do Siemaco, a entidade buscou alternativas para minimizar os impactos enfrentados pelos trabalhadores.

“O trabalhador quer, ao menos, ter acesso ao seguro-desemprego. Tentamos negociar a entrega dos termos de rescisão, a liberação do FGTS e do benefício, mas não tivemos respaldo”, afirmou.

Mais de 20 trabalhadores afetados

O sindicato estima que mais de 20 ex-funcionários das duas unidades de saúde foram impactados pela situação. Parte dos trabalhadores ingressará com ações por meio de advogados particulares, enquanto outros contarão com assistência jurídica oferecida pela própria entidade sindical.

Segundo o Siemaco, a prioridade inicial foi garantir acesso ao seguro-desemprego, permitindo que os profissionais tivessem algum suporte financeiro enquanto aguardam a regularização das verbas rescisórias.

Os relatos apontam dificuldades financeiras enfrentadas pelos ex-funcionários, que aguardam há meses pela conclusão do processo de desligamento.

Trabalhadores relatam dificuldades

A ex-funcionária Claudenora Batista Bezerra afirma que pelo menos 16 trabalhadores da UPA Macarenko foram desligados e que apenas duas pessoas teriam recebido parte dos valores devido à existência de férias acumuladas.

“Cumprimos tudo certinho, aviso, trabalho, tudo. E até agora ninguém recebeu nada. A empresa só enrola”, relatou.

Ela afirma que, até o momento, recebeu apenas o seguro-desemprego.

“Tenho duas crianças especiais e estou precisando muito”, acrescentou.

Segundo os trabalhadores, o prazo inicialmente informado para pagamento das verbas teria vencido em 23 de abril. Eles também relatam que houve uma proposta posterior prevendo envio da documentação ao sindicato até 20 de maio e início dos pagamentos em junho, mas afirmam que os compromissos ainda não foram cumpridos.

Parte dos profissionais acabou sendo contratada pela empresa que assumiu os serviços nas unidades, enquanto aqueles que não permaneceram seguem cobrando a regularização dos valores rescisórios.

Empresa diz que enfrenta dificuldades financeiras

Em nota, a RSM informou que mantém a proposta apresentada ao sindicato e reafirmou o compromisso de quitar integralmente as verbas rescisórias dos ex-colaboradores.

A empresa argumenta que enfrenta dificuldades financeiras decorrentes do cenário econômico e operacional do setor, mas destacou que a situação não afasta sua responsabilidade junto aos trabalhadores.

Segundo a RSM, a proposta prevê pagamento parcelado dos valores, medida considerada necessária diante da atual condição financeira da empresa.

“A proposta apresentada visa justamente garantir a continuidade dos pagamentos de forma organizada e factível, preservando a segurança jurídica e financeira necessária para cumprimento das obrigações assumidas”, informou a empresa.

A RSM também esclareceu que os casos que já estão judicializados permanecerão sob análise do Poder Judiciário e não integrarão eventual acordo administrativo.

Ainda conforme a nota, a previsão é iniciar os pagamentos a partir de 15 de junho.

“Devido à situação financeira da RSM, foi necessário parcelar, pois não será possível efetuar o pagamento de uma só vez”, declarou a empresa.

Entenda o caso

  • Ex-funcionários atuavam nos serviços de limpeza e portaria das UPAs Macarenko e Matão;
  • Sindicato afirma que mais de 20 trabalhadores foram afetados;
  • Trabalhadores alegam atraso no pagamento das verbas rescisórias;
  • Siemaco tentou negociação para liberação de FGTS e seguro-desemprego;
  • Parte dos casos será levada à Justiça;
  • Empresa afirma enfrentar dificuldades financeiras;
  • RSM prevê iniciar pagamentos parcelados a partir de 15 de junho.

A situação afeta diretamente dezenas de famílias sumareenses que dependem dos valores rescisórios para reorganizar suas finanças após o desligamento. Enquanto aguardam uma solução definitiva, os trabalhadores buscam respaldo jurídico para garantir o recebimento dos direitos previstos na legislação trabalhista.

Fonte: Tribuna LIberal - Edição Douglas Melo

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