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Comunicação Política

A campanha começa no feed: e o anúncio tem que começar agora

As eleições de 2024 consolidaram a virada do marketing político para as redes sociais, onde o eleitor encontra o candidato no feed — e não mais na rua.

Publicado em 10/11/2025 às 14:40

Carlos Junior

Participei de um podcast com alunos de Publicidade e falamos sobre como as eleições de 2024 mostraram uma virada importante na forma de fazer campanha digital. As redes sociais já fazem parte da política há um tempo, mas, dessa vez, o destaque foi o impulsionamento, aqueles anúncios pagos que aparecem entre um vídeo e outro. Eles tomaram o lugar dos panfletos, definitivamente. O eleitor não precisa mais receber o candidato na rua, ele o encontra no feed.

Muita gente ainda aposta em material impresso e caminhada de bairro, mas os relatórios do TSE mostraram que, em várias cidades, a publicidade digital já superou a tradicional. É mais barata, mais rápida e chega direto a quem o candidato quer atingir. O que antes dependia de sol quente e calçada agora é medido por curtidas. E mais: as equipes de agenda também já entendem o valor desse tempo. Quando a rua esvazia, o candidato fica no estúdio ou na rua, com a equipe de filmagem. O período da tarde, antes ocioso, virou hora de gravar conteúdo e abastecer as redes.

Essa mudança também mexeu no jeito de comunicar. Ninguém tem paciência para discursos longos, então as campanhas investiram em vídeos curtos, mensagens diretas e formatos que prendem atenção logo de cara. O candidato já faz o discurso pensando no recorte de 15 segundos que a equipe vai usar.

Além disso, a figura do storymaker ganhou ainda mais importância. Se a reunião com o eleitor aconteceu à noite, não dá pra esperar o dia seguinte pra publicar. O stories é a janela da campanha ao vivo, e esse profissional precisa estar atento a tudo: boas falas, imagens, abraços, apoios e estratégias. Não é só postar o que está rolando, é pensar o conteúdo como parte do plano geral da campanha, até porque os adversários também estão assistindo.

O TikTok também foi um destaque, pela fatia de participação. Embora Instagram e Facebook ainda liderem com folga, a plataforma cresceu entre os jovens e entre quem já cansou do Instagram. Lá, a espontaneidade vale mais do que a produção, até porque tudo, de certo modo, é um stories.

A tendência é clara: nas próximas eleições, o digital será cada vez mais o novo palanque. E quem entender isso antes sai na frente. O problema é que o óbvio ainda não virou prática. Muitos mandatos deixam de investir em conteúdo e presença digital contínua. Apostar tudo só no período eleitoral pode ser um erro caro. A ferramenta está aí, o que falta é constância. E, pra quem está começando na área, especialmente os estudantes de comunicação, tem muito trabalho pela frente.

Carlos Junior é jornalista, especialista em marketing, analista político e gestor de planejamento na AG22

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