Moradores da Vila Soma, na região central de Sumaré, seguem enfrentando diariamente dificuldades para garantir acesso à água potável. Sem abastecimento regular por rede encanada, centenas de famílias dependem atualmente de poços improvisados e caminhões-pipa fornecidos pela BRK Ambiental, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto no município.
A situação, segundo relatos da própria comunidade, já se arrasta há anos e evidencia um cenário de precariedade que afeta diretamente a qualidade de vida da população.
Parte dos moradores recebe água por meio de um sistema alternativo criado dentro da própria comunidade. Segundo os relatos, um morador encontrou uma mina d’água e passou a distribuir o recurso para diversas residências da região. Para manter o funcionamento da estrutura improvisada, as famílias contribuem mensalmente com cerca de R$ 100 destinados à manutenção dos poços e do sistema de distribuição.
“Tem um rapaz que descobriu uma mina de água e passa para algumas casas. A gente paga R$ 100 por mês para manutenção e para conseguir receber água. É assim que muita gente consegue sobreviver aqui”, relata um morador.
Outras famílias dependem exclusivamente dos caminhões-pipa enviados pela BRK Ambiental ou utilizam poços próprios, que frequentemente não conseguem atender toda a demanda das residências. Quando os reservatórios secam, a única alternativa volta a ser aguardar a chegada dos caminhões de abastecimento emergencial.

Além da escassez, moradores denunciam falhas constantes na distribuição da água realizada pela concessionária.
“O caminhão passa direto em algumas ruas, às vezes escolhe as casas e não atende todo mundo. Tem dia que faz uma viagem só e não volta mais. A população fica sem água”, afirma outro morador.
O sentimento de abandono também é compartilhado por diversas famílias da comunidade, que relatam viver diariamente sob incerteza.
“Todos temos direito à água, mas aqui parece que precisamos implorar para ter esse direito garantido. Esses caminhões-pipa acabam parecendo migalhas para a população, porque nunca chega água em quantidade suficiente para atender uma família inteira. A gente vive na incerteza, sem saber se amanhã vai ter água para cozinhar, tomar banho ou lavar roupa”, desabafa uma moradora da Vila Soma.
Ministério Público acompanha situação
Segundo documentos obtidos pela reportagem, o Ministério Público cobra a implantação definitiva da rede de água e esgoto no bairro, diante das condições enfrentadas pela população.
Em resposta oficial encaminhada à advogada Mariana Gabriela Souza de Melo, a BRK Ambiental informou que o abastecimento emergencial por caminhão-pipa segue em funcionamento enquanto não é possível ampliar o sistema público de distribuição.
No documento, a concessionária afirma que já foram implantadas ligações domiciliares no Setor 1 da Vila Soma, contemplando 199 residências, incluindo a Unidade Básica de Saúde (UBS) da região.
Entretanto, segundo a BRK, o avanço das obras depende diretamente da conclusão do processo de regularização fundiária e da cessão de uma área destinada à instalação de um reservatório de água no bairro.
A concessionária destaca ainda que a implantação da estrutura só será possível após a formalização da doação e cessão do terreno, procedimento que estaria sob responsabilidade do empreendedor em conjunto com a Prefeitura de Sumaré.
Porém, até o momento, a loteadora responsável ainda não concluiu o processo de regularização necessário para viabilizar a área onde seria implantada a estrutura de abastecimento.
Caminhões-pipa continuam insuficientes
Ainda conforme o ofício enviado pela BRK Ambiental, desde janeiro de 2026 houve aumento na quantidade de viagens dos caminhões-pipa, com a inclusão de mais um veículo para abastecimento da comunidade.
Mesmo assim, moradores afirmam que a medida segue insuficiente para atender a demanda da população, principalmente nos períodos de maior consumo e calor intenso.
Enquanto o impasse envolvendo regularização fundiária, cessão do terreno e ampliação da infraestrutura segue sem solução definitiva, moradores da Vila Soma continuam enfrentando dificuldades para garantir acesso regular a um recurso considerado básico e essencial para a dignidade humana.